Uma nova era também em relação às finanças. É o que o Grêmio espera a partir deste sábado com a inauguração de sua Arena Grêmio no bairro de Humaitá, em Porto Alegre. Uma ascensão não só em relação ao rival Internacional, que exibe maiores receitas nos últimos anos, mas também no cenário do futebol brasileiro.
Posicionado em sétimo lugar no que diz respeito a receitas, o Grêmio espera se juntar em especial ao grupo ocupado por Inter, Santos e Flamengo, respectivamente terceiro, quarto e quinto colocados no exercício 2011. Essa diferença exige um salto de aproximadamente R$ 40 milhões por ano.
Responsável pela construção da Arena Grêmio, a OAS terá direito a 35% das receitas geradas no estádio, mas ainda assim é possível prever um crescimento significativo do clube com os 65% a ele cabíveis. Neste pacote de renda estão previstas as vendas de camarotes, propriedade comercial que era limitada no Estádio Olímpico. Além disso, aumento dos recursos de bilheteria, com ingressos mais caros e maior assiduidade dos torcedores. Outro ponto importante é a possibilidade de ampliar o quadro de sócios, já que a capacidade sobe de 45 para 60 mil.
Presidente do Grêmio que deixa o cargo nos próximos dias, Paulo Odone ressalta outro ponto salutar para os cofres do clube. "A Arena vai inverter uma situação. Hoje, se tira do cofre do associado e do futebol para se jogar na manutenção do estádio, que já tem 60 anos. A manutenção não é barata. Agora vamos inverter: vamos tirar recursos do estádio para colocar no futebol", explica Odone em entrevista ao Terra.
O exemplo do Morumbi e o maior desafio do Grêmio
Especialista em marketing esportivo, o consultor Amir Sommogi prevê uma mudança de patamar econômico para o Grêmio a partir do aproveitamento de recursos advindos da Arena. Ele aponta o Morumbi, estádio do São Paulo, como maior exemplo a ser seguido. "O São Paulo hoje é disparado quem mais fatura. Foram R$ 60 milhões dos R$ 226 do exercício de 2011. Ou seja, 27% da arrecadação", aponta Amir. Na sequência, ele faz uma estimativa para o Grêmio.
"Em 2011, o Grêmio fez R$ 34 milhões com os sócios e mais R$ 10,4 milhões com bilheteria. Foi 31% do faturamento; Se a gente considerar que aumente a bilheteria para R$ 25 milhões e cresça mais um pouco com os sócios, daria R$ 61 milhões. Em uma visão conservadora, significa 38% do orçamento", estima o especialista. Odone acrescenta: "nos primeiros anos, sempre teremos o estádio quase cheio, é a expectativa para o Campeonato Gaúcho até", diz o presidente. Apenas no jogo deste sábado, contra o Hamburgo, a previsão é de uma receita na casa de R$ 4 milhões.
O presidente, que dará lugar a Fábio Koff, acredita em um orçamento de R$ 240 milhões para 2013. Amir Sommogi, mais contido, pensa que o valor será possível apenas com vendas significativas de jogadores. Mas em temporada de Copa Libertadores, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Campeonato Gaúcho, não descarta tamanha ascensão. Mas lança um desafio para o clube.
"Pode ser que o estádio dê um boom nas receitas do Grêmio. Em 2012, o orçamento talvez seja de R$ 160 milhões, então seria um crescimento de R$ 80 milhões para chegar em R$ 240. É bem otimista. Mas o desafio para chegar perto disso é transformar a Arena em um polo de consumo e de entretenimento. Isso depende do setor público, principalmente da prefeitura de Porto Alegre".
Ranking de receitas do futebol brasileiro no último ano *
| em milhões de reais | 2011 |
| Corinthians | 290,4 |
| São Paulo | 226,0 |
| Internacional | 198,2 |
| Santos | 189,1 |
| Flamengo | 185,0 |
| Palmeiras | 148,1 |
| Grêmio | 143,3 |
| Vasco | 136,5 |
| Cruzeiro | 128,6 |
| Atlético-MG | 99,8 |
Diferença de receita da dupla Gre-Nal nos últimos três anos *
| em milhões de reais | 2009 | 2010 | 2011 |
| Grêmio | 110,8 (7º) | 115,8 (7º) | 143,3 (7º) |
| Internacional | 176,1 (2º) | 179,1 (3º) | 198,2 (3º) |








RESPOSTA AO "Com Arena, Grêmio rivaliza com Inter entre clubes mais ricos do País"
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